Quinta-feira, Julho 10, 2003
encerrando a carreira sem acentos.
sem primeira classe.
sem vip card.
sem nada.
1:57 PM
Segunda-feira, Junho 23, 2003
jet leg
e como me faltava não o que escrever, mas o que valia a pena ser escrito, cá estou, quase.
boot leg
e aqueles alvos nos sapatos de korina, revelados nas fotos tiradas pelo tal fã caetano (e eu fico pensando que o mundo pode ser até engraçado quando se tem um fã chamado caetano); enfim, pergunto-me se seriam os mesmos do cat?logo do verão 2002 da carlota joakina? Eu não me preocupo com moda. Não mesmo. é algo como objeto de trabalho. Ta lá, e você tem que desenrolar. Não chega a ser prazer. Não chega a ser dor.
Falando nisso, o povo do “Hermes e Renato” lançou seu novo quadro, o Palhaço Gozo. Entre seus assistentes, o Papai Sacudo. Eu ri. Sozinho, porque sou mesmo um sujeito de péssimos gostos.
Falando nisso, mais uma festa no ritz. E aquele mesmo povo de 12 anos de idade fazendo você se sentir ridículo nos seus quase 30. e dá-lhe bootleg que a gente gosta mesmo é de novidade. E esta nova onda deve ser, desde já, o ritmo que ouviremos para sempre, pelo menos até a próxima festa.
E, de um arraial industrializado na beira da praia com Maria Fernanda e seu marido cubano (o excelente Enrique), mergulhar no ritz com o ivoaugusto e algumas cervejas no cérebro até que faz a gente esquecer um pouco o grande pedaço de vazio do lado de dentro.
jet set
falando em alvo, segunda-feira após o almoço, distraído, cai-me um scud em forma de ligação pro meu celular. "ei, rapaz!", e era gustavo, direto de l.a. e muitas novidades e de repente, no meio do papo (foram, sei lá, muitos, muitos minutos) começa a pulsar algumas dores até então dormentes. e a velha sensação de, mesmo quando você faz o que deve ser feito, isto não te dá garantia nenhuma de recompensa, no caso, a tal felicidade.
fiz o que tinha de ser feito. gustavo também. e, bom, lembro das coisas que pensei enquanto saía do cinema, mudo, após ver "as horas". não há recompensa alguma pra quem faz a sua parte. Não há vida eterna, não há paraíso, não há morfina. mas, bobagem, tem-se que continuar vivendo, seja olhando para o big hill e sua montanha com as letrinhas (h-o-l-l-y-w-o-o-d) ou seja entrando num engarrafamento às seis da tarde na padre valdevino ou voltando bêbado pra casa, sozinho, muito tarde da noite, o som do carro tocando jay jay johanson muito alto.
no final das contas, o céu aqui e lá é o mesmo. aquele velho clichê: algumas cores mudam, mas é essencialmente o mesmo pano de fundo avermelhado, com uma grande bola de fogo virando cinza por trás do horizonte.
e algo invisível continua crescendo por baixo do aquário aqui, nesta cidadezinhazinha.
E eu esqueci de perguntar se Gustavo já tinha ido até “beverly hills 90210”, pra saber se existe ou se é somente um seriado dos anos 80 e um refrão pegajoso décadas depois.
E, de qualquer forma, uma vez já disseram no meu carro, acho que foi o Marcio: “o que é meu tá guardado”. Não sei bem o que, mas esta frase me serve de alento para alguns momentos de emergência. Como este. Enfim.
eject
Por causa disso tudo, ouvindo o jay jay, “Milan, Madrid, Chicago, Paris”. Com um medo absurdo e bobo das viagens que possivelmente não mais farei.
3:30 PM
Sexta-feira, Maio 30, 2003
homens e livros
E o ivoaugusto parece achar irônico o fato de “só ter lido no máximo três livros na vida”. Bom, o vicent gallo só leu um e fez o que fez (incluindo "brown bunny, que escandalizou cannes, agora há pouco, por mostrar um blowjob da linda chloé sevigny no instrumento do referido gallo). Tudo bem que nem era um livro mesmo (na verdade, era o manual de um sistema de rádio da RCA com 900 páginas, que ele transformou alguns capítulos em comentários sobre a vida, segundo o próprio gallo conta.
passeio completo
Top 10 do partylounge deste sábado no clube:
a) Faixas do recém-lançado “nuit blanche”, do vive la fête, e um pouco de “black cherry”, do goldfrap, também, porque a gente goste mesmo é de hype e daí?;
b) Kishore Kumar (foto), um astro da old bollywood (a indústria de cinema da índia), com algumas belas toadas em sânscrito dos anos 70.
c) um remix do señor coconut para um eletrofunk de towa tei (boas referências, quem conhece, sabe, e já basta)
d) catherine deneuve cantando “toi jamais”, direto do “8 femmes”, porque a festa é kitch;
e) sinéad o’connor na nova do asian dub foundation, 1000 mirrors, porque a festa é kootch;
f) portishead, sempre, espalhando-se por toda a noite;
g) top hits hebraicos, começando pelo bom e velho “hava nagila”, passando por baladas gregas (tem uma ótima do Kourkoulis Nikos) e parando em alguma banda obscura da Turquia.
i) uma do pulp tirada do “hist ‘n hers” (se bem que, se fosse por gosto pessoal, seria qualquer uma do “different class”);
j) recomendo, ainda, uma ouvida atenta a “lo fi nu jazz”, do Rubin Steiner, tirada do paris lounge 2, em momento Gustavo da noite, mas bem animado, porque festas não são feitas para a melancolia. Se bem que...
l) falando nele, “puro teatro”, de la lupe, vai direto em pensamento pra Los Angeles, com saudades.
11:17 AM
Quarta-feira, Maio 28, 2003
santo do pau oco?
algumas histórias são realmente muito impressionantes. como esta:
“O ano é 365. A cidade é Cartago, norte da África. Agostin, jovem estudante de filosofia, e Flória, sua namorada, estão nus, deitados sobre uma cama de feno. Têm apenas 19 anos. No chão, vinho, esperma já seco, sangue já coagulado e restos de comida. Está amanhecendo um dia quente em Cartago e a madrugada não foi menos quente: Agostin e Flória dividiram a cama com mais seis amantes. Entre eles, um negro Etíope, duas moças persas e um cabrito (sim, um cabrito) que, depois de sodomizado por todos, teve seu bucho cortado e suas tripas oferecidas cruas aos amantes, numa pequena oferta para Vênus. Mônica, mãe do jovem filósofo, entra no recinto. Dá um escândalo, expulsa a namorada de Agostin e, depois de um dia inteiro de intensas discussões, mãe e filho celebram as pazes indo para a cama, são apaixonados um pelo outro.
Mil e seicentos anos depois, mãe e filho são mais conhecidos pelo título de Santa Mônica e Santo Agostinho, ele o mais fervoroso e careta dos santos, um teólogo que, em suas "Confissões de Santo Agostinho", estabeleceu os pilares do Cristianismo escrevendo coisas do tipo: "Não, a felicidade não é um corpo e por isso não se vê com os olhos."
Foi ele quem inventou a culpa e morreu atormentado por ela. E, desde a Roma pagã, nunca mais viemos a fazer amor e sexo (sim, há distinção entre os termos) sem algum tipo de culpa.
Agostinho introduziu entre os cristãos uma definitiva nódoa de consciência culpada quando faziam sexo ou tinham sentimentos e impulsos prazerosos. Trouxe para dentro dos lares e para os leitos conjugais uma sombra de coisa maligna, de impureza, perversão e vício, que arruinou a vida de incontáveis casais, para quem o sexo passou a ser associado a um "presente do demônio". Santo Agostinho opôs definitivamente a Carne a Deus.
É ele quem concluiu e ensinou aos pobres cristãos que a dor do parto é um castigo de deus as mulheres que insistem em prevaricar.
tirada do site: www.falae.com.br/mirante
dolores durão
E Bjork me cercando... na vontade de ouvi-la cantando “travessia”, na audição tardia de algumas coisas mais melancólicas de um disco que eu gosto muito mas que já tinha esquecido (o “here today, tomorrow next week”, do sugarcubes), na foto que Gustavo me envia de Los Angeles, segurando seu bilhete para o show dela (e de quantas vezes havíamos combinado de viajar juntos só pra ver um show dela)... aí, sábado passado, plena gafieira do clube do advogado, Thaís, Guga, Diego Sean Lennon, Enrico e Kerla, e o tal Dj Dolores (de quem eu conheço mais a importância que propriamente a obra, incensada especialmente pelo velho colega Guga). E o cara me tira uma foto bebendo cerveja e fazendo bico. E me pergunta se eu trabalho com moda. Aí, hoje, quarta-feira, meio da semana, sai esta (aí, voltamos a bjork) na Érika:
DJ Dolores vai embarcar para uma turnê internacional de três meses com apresentações na Europa e nos Estados Unidos. "Essa tour é de gente grande", diverte-se Dolores, que viaja com a Orchestra Santa Massa e o repertório do álbum "Contraditório?", que é distribuído pela Trama.
"Nos festivais da Dinamarca e de Portugal, vamos estar no mesmo palco que a Björk, e em Portugal também estamos no mesmo palco que Moby", conta Dolores, que em Nova York vai ter como convidados especiais os músicos Arto Lindsay e Mestre Salustiano.
4:39 PM
Terça-feira, Maio 27, 2003
um.na.linha
one
Consegui ouvir os primeiros acordes do oneonl1ne. A coisa é séria mesmo. Eu não sou lá muito de jogar confete no que eu não acredito, portanto, fica aí a minha garantia pessoal de certa impessoalidade na análise. A coisa é mais ou menos assim: Thaís mostra que, realmente, não era a alma da alcalina. Era, sim, algo até maior. Talvez a essência da coisa toda de quem acompanhou a antiga e agora finada banda em suas diferentes formações. Quando a banda terminou, pensei: pronto, e agora? Se a Thaís compunha tão bem com a Fernanda, apenas mudar de banda deveria manter o mesmo nível de comprometimento artístico entre as duas.
due
A julgar pelas primeiras pungências em forma de música, eu estava profundamente equivocado. Thaís agora tá sozinha. Ou estava, até a inclusão das cabeças testosterônicas que entraram na “1oL” (já tem até abreviatura). Os caras entendem de técnica. A Thaís, de emoção. É irônico a coisa toda meio que reforçar paradigmas: elemento feminino = sensibilidade e instinto; elemento masculino = razão e técnica.
Posso até estar enganado (o que provavelmente acontece, até porque ouvi muito pouco da banda, quase nada, mesmo, apesar de já suficiente a amostra) quando divido a coisa em pólos sexistas. Enfim. Basicamente, o que interessa é que o som é surpreendente.
trios
Fiquei pensando... revelo minhas impressões ou não? Adianto alguma referência (processada pelo meu próprio filtro e, por isso mesmo passível de equívoco) e incorro na irresponsabilidade de gerar alguma expectativa incoerente (como se houvesse alguma expectativa coerente nesta vida...) ou fico na minha? Aí, a decisão: não. Não vou adiantar nada. Vou guardar comigo e deixar aqui registrada a vaidade de ser um dos poucos de fora a ouvir as primeiras pulsações internas da oneonl1ne.
cuatro
Assistindo mtv, o tal projeto “sonora”, para descobrir “a cara do novo”, me agride de uma maneira tal que eu esperava o surgimento da “1oL” como uma espécie de redenção. Só pra se ter idéia, o tal “sonora” já está exibindo umas coisas com nomes que variam de “mákina du tempo” (de Brasília, fazendo um pseudoblues horroroso de vagabundo e sem senso de humor) até uma tal “space rave” (de porto alegre, tocando mais uma musiquinha com ares de jovem guarda, como se os gaúchos realmente só soubessem fazer aquilo mesmo).
fünf
Aí, ouvindo a “1oL”, cai a ficha. Não. Não é nem pro “sonora”, não. Seria quase vergonhoso misturar o pouco que eu ouvi da banda ao amontoado de clichês sonoros que tá rolando no tal projeto da mtv. Pretensão? Presentão? Trocadilho semântico? Bairrismo? Talvez sim. Talvez não.
Oneonl1ne mostra a cara no sábado, na festa do clube. Então, sim, será possível esboçar alguma resposta.
fine
Na verdade, acho que era só pra ter sido o primeiro mané a escrever algo sobre a “1ol”. E, sinceramente, achei péssima a redução, “1ol”. Deleta.
2:15 PM
Sábado, Maio 24, 2003
de
Which Willy Wonka character are you?
made by
2:41 PM
Sexta-feira, Maio 23, 2003
Hell is around the corner
Sexta pela manhã, pensando em como sobreviver a Sexta à noite sem sair mortalmente ferido da batalha. Na quarta, ouvindo k.d.lang; na quinta, portishead; hoje, 9 e meia, tricky. Onde é que eu vou descer quando o trem parar?
Falando em trem, diz que depois que a festa de lançamento do colette 5, com pickups assinadas pelo 2manydjs, a loja véia alugou um trem, convidou 500 pessoas absurdas e, na mesma noite, embarcaram para uma cidadezinha belga chamada Ghent, lar da dupla de djs mais mais do momento. Ser volúvel sempre compensou.
Pra finalizar na contramão, uma coisa muito muito muito bonita e simples aqui. Não conheço o rapaz, mas a foto já serve.
Antes de ir embora, vale a pena uma piscadela no site de dogville, a mais nova porrada do lars von trier, com Nicolle Kidman interpretando... bem, a sinopse tá aqui. Detalhe assombroso: o filme inteiro foi rodado em cima de um fundo negro, com desenhos de giz simulando calçadas, ruas e paredes de casa. Trevas. E eu fico pensando: o que raios eu faço aqui, achando que sei de alguma coisa, quando poderia estar em qualquer buraco do mundo, aprendendo, realmente, a fazer algo?
9:42 AM
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